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domingo, 8 de janeiro de 2012

DIVAGAÇÕES LITERÁRIAS

DIVAGAÇÕES LITERÁRIAS

por Noelia Brito, segunda, 14 de Fevereiro de 2011 às 23:16 (Postado originariamente no Facebook)
Do auge da minha preguiça Macunaímica, finalizei "Homens e Caranguejos". O prefácio é extraordinário, à altura do restante da obra do autor de Geografia da Fome. Temática interessantíssima, aliás, que me remete a outras leituras. Assalta-me, confesso, como uma espécie de paradoxo, a compulsão por mergulhar nas mais diversas obras que trazem a fome como protagosnista.
Na adolescência, minha leitura era povoada pelos livros de Geografia Humana da minha mãe e tantos outros que eu garimpava na Biblioteca do CEUB, donde já se podia antever minha vocação para as leituras mais voltadas à informação, à realidade circundante, sobre a qual gosto de refletir, do que propriamente ao romance. Então, certa má vontade já se há de esperar dessa leitora, quando se trata de leitura ficcional. Ainda assim, mesmo considerando o fator preferência estilística, dado o pedigree do autor, certo incômodo me assaltou a alma, ao final da leitura, por não conseguir sentir maior empolgação pela obra. Na verdade, como ficção, achei frágil. Que os deuses da escrita me perdoem!
Instigada, porém, pelo livro de Josué de Castro que acabo de ler, vasculhei minha estante e encontrei uma edição, de 1979, de "A Fome" de Rodolfo Teófilo (a primeira remonta a 1894). Aliás, o escritor cearense, ladeado por Raquel de Queiroz, José Américo de Almeida e Euclides da Cunha, foi merecedor da dedicatória que o próprio Josué de Castro fez de sua obra maior, “Geografia da Fome”. Os dois primeiros, como romancistas, enquanto que Rodolfo Teófilo e Euclides da Cunha foram aclamados como sociólogos dessa mazela no Brasil.
Voltando ao livro de Rodolfo Teófilo, para minha surpresa, deparei-me com comentários e críticas sobre o estilo do autor de “Violação”, que me fizeram repensar minhas próprias impressões sobre o romancista Josué de Castro, a quem julguei avaro do ponto de vista ficcional. Rodolfo Teófilo foi considerado, por Dolor Barreira, "inexperiente no ofício", a ponto de se perceber n"A Fome", certos "defeitos de composição". Mas o próprio Dolor Barreira o aclamaria, a partir desse livro, como o criador da literatura regionalista.
Então, não me senti mais tão ignorante e envergonhada, por não ter me encantado com o romancista Josué de Castro. É que assim como no próprio Rodolfo Teófilo, a utilização da forma romanceada se presta, fundamentalmente, para passar o recado, por ser, em geral, a mais atraente maneira de se despertar o interesse do leitor comum. Prova disso é a biografia do Visconde de Mauá, onde o próprio Jorge Caldeira confessa ter lançado mão do artifício, para prender a atenção de quem viesse a lê-lo.
O conteúdo há de se projetar para além da forma. O que importa é que a leitura de “Homens e Caranguejos”, à exceção do prefácio, apesar de não ser das que mais me impressionaram, como ficção, despertou em mim a vontade de mergulhar nessa outra obra, esta, sim, tida como uma das mais chocantes da ficção brasileira de todos os tempos, segundo Otacílio Colares, que é “A Fome”, de Rodolfo Teófilo.
Se um livro nos instiga a buscar outras leituras, aí já tem por realizada sua vocação. É o que ocorre com o romance de Josué de Castro, coloca-nos a matutar sobre o tema da fome, suas causas e consequências, a tal ponto, que nossa “fome” por refletir e repercutir, mais e mais o tema, torna-se insaciável.

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