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domingo, 29 de janeiro de 2012

"A inflação forasteira em Suape", desenvolvimento e lucro pra quem mesmo?

Jornal do Commercio
Recife, 29 de janeiro de 2012.
A inflação forasteira em Suape
CUSTO Valorização imobiliária é um dos problemas dos nativos de Suape, que viram custo de vida aumentar com chegada de empresas
Adriana Guardaadrianaguarda@jc.com.br

Moradores nativos de Suape enfrentam o lado obscuro da riqueza do complexo. A valorização imobiliária desenfreada e a pressa em desocupar terrenos para instalar empresas, empurra a população pobre da região para a submoradia. Empresas alugam casas e pousadas para transformar em república de trabalhadores importados de outros Estados e contribuem para a explosão dos preços. A Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE) estima que o valor do metro quadrado na região saltou de R$ 500 para R$ 2 mil.

O pedreiro Elias Severo da Silva, de 24 anos, construiu uma casa de tábua no terreno onde sua mãe mora, no Engenho Algodoais, em Suape. “É melhor ficar por aqui, porque o preço do aluguel está pela hora da morte. Uma casa de dois quartos, que antes se conseguia alugar por R$ 300, agora está custando R$ 600. Não dá para pagar”, diz. Há 6 meses, ele conseguiu uma vaga na obra da PetroquímicaSuape. Com o salário líquido em torno de R$ 800, se fosse pagar aluguel, não sobraria quase nada para sustentar os dois filhos e a esposa.

Suape tem oportunidade de trabalho, sim. Já passei por obras da Pernambuco Construtora, da HR Brasil e agora estou na Odebrecht. O problema é que a vida ficou difícil para quem é nativo. Esse pessoal de fora que veio trabalhar aqui fez o preço de tudo aumentar. Isso inclui não só o aluguel, mas o preço da feira, do gás de cozinha, da roupa. Está tudo mais caro”, reclama.

O presidente do Sindicato da Construção Civil de Pernambuco (Sinduscon), Gustavo Miranda, diz que é difícil ter um referencial de preços para a região. “O valor do hectare no entono de Suape cresceu em progressão geométrica. Não dá nem pra apontar um preço, porque vai variar de acordo com a oportunidade. Isso sem falar na falta de terrenos na região”, diz, destacando que essa valorização vai para além dos municípios do Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Jaboatão dos Guararapes. “Essa mudança de patamar vale para, pelo menos, sete cidades da vizinhança de Suape”, completa.

Se o presidente do Sinduscon prefere não apontar valores, empresários que vivem de perto a especulação imobiliária na região dizem que o preço do hectare na região de Suape subiu para R$ 1 milhão nos últimos 2 anos, numa valorização de 1.000%.

Outro complicador é o déficit habitacional nos cinco municípios da vizinhança de Suape (Cabo, Ipojuca, Jaboatão, Moreno e Escada) que, segundo a agência de planejamento do Estado Condepe/Fidem está estimado em 35 mil residências. Numa projeção para 2035, esse saldo negativo deverá saltar para 85 mil moradias.

A Praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho, é um exemplo emblemático desse déficit. Depois da ocupação da comunidade pelos forasteiros que trabalham em Suape, o número de invasões explodiu. Situação semelhante se vê em Ipojuca. Os programas habitacionais dos municípios não acompanham a velocidade da demanda por casas na região. E a situação ainda tende a piorar. Isso porque, este ano, a obra da Refinaria Abreu e Lima entra na fase de pico da construção e terá 38 mil funcionários e parte deles vai habitar a região e inflar o déficit.

Crescimento às custas dos posseiros
Comunidades de posseiros que habitam as terras de Suape acusam a diretoria do complexo de adotar uma política de desapropriação que exclui os nativos e contribui para a marginalizar agricultores da região. Diagnóstico realizado pelo governo do Estado aponta para a existência de 25 mil pessoas morando na área do porto.
Na última quinta-feira, a agricultora Raquel Minervino dos Reis Barbosa, foi convocada a participar de uma reunião no 18º Batalhão da Polícia Militar, no Cabo de Santo Agostinho. Lá, foi informada que precisa desocupar a casa no sítio onde vive desde que nasceu, há 48 anos. A conversa foi para evitar que seja realizada uma ação coercitiva. “Fui informada que tenho que sair por bem ou por mal”, diz, com indignação.

A diretoria de Suape ingressou com ações de reintegração contra vários posseiros da região. Dona Raquel é uma delas. Na sentença o juiz Rafael José de Menezes determinou o pagamento de R$ 22 mil pelas benfeitorias no terreno. “Com esse dinheiro não compro nem um barraco numa favela do Cabo. É isso que eu mereço pela minha vida que está aqui? Não é só a minha casa, as fruteiras e a roça que tenho aqui. É a minha vida nesse lugar. Como um juiz pode dizer que Suape pague esse valor se não vou conseguir lugar para morar?”, questiona. Há três gerações a família Minervino vive no Engenho Algodoais. O patriarca da família morreu em 2007, aos 80 anos, depois de ter criado os filhos no sítio.

Suape não tem uma política social de desapropriação. Está deteriorando as condições de vida dos nativos. Ninguém é contra o desenvolvimento, mas eles estão fechando os olhos para o custo social e ambiental da chegada dessas grandes empresas. O que o governo do Estado está promovendo aqui é desenvolvimento com sofrimento para os posseiros”, desabafa o presidente da Associação de Moradores de Algodoais, Edvaldo José do Nascimento. A diretoria de Suape não atendeu ao pedido de entrevista.
COMENTÁRIO: Eu fico impressionada! Como é que esse governo Eduardo Campos concedeu tantos incentivos fiscais, doou tantos terrenos, patrocinou tanta destruição de mangues e outros recursos naturais de nosso Estado em favor da iniciativa privada e do capital estrangeiro e a contrapartida para o povo é essa aí, noticiada pela própria imprensa tradicional. Se formos imaginar a parte impublicável, nem dormiremos à noite, de pavor, com o futuro que a sanha de poder do clã despótico capitaneado pelo Sr. Campos reservou e ainda trama para nosso Estado.
Além de já apresentar desequíbrio orçamentátio desde 2010, por gastar e tomar emprestado irresponsavelmente, o governo Eduardo Campos amplia, a cada dia, o nível de endividamento de Pernambuco. Quem vai pagar essa conta? Somos nós. Já arcamos e teremos que arcar pesadamente com o projeto de poder magalomaníaco do Sr. Eduardo Campos, para quem Pernambuco já parece pequeno demais diante da sua ganância pelo poder.
Desenvolvimento e lucro para quem, Sr. Eduardo Campos? É a pergunta que clama, irrespondível!
MANIFESTAÇÃO DOS PESCADORES ATINGIDOS PELAS OBRAS DE DRAGAGEM DE SUAPE (COLÔNIA DE PESCADORES DE CABO DE SANTO AGOSTINHO Z-08), COM A PERDA DE SUAS MORADIAS E MEIOS DE SUBSISTÊNCIA (Foto extraída da Representação encaminhada pelos pescadores ao MPF, em Pernambuco) 




"Gente quer comer
Gente que ser feliz
Gente quer respirar ar pelo nariz
(...)
Gente é pra brilhar
Não pra morrer de fome"
(CAETANO VELOSO)

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