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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SAMU, COM DEFICIÊNCIA DE AMBULÂNCIAS, DEMORA DUAS HORAS PARA PRESTAR SOCORRO NO ENGENHO DO MEIO


Foto: Noelia Brito
Ontem, pela manhã, ao sair de uma audiência na Justiça do Trabalho, deparei-me com uma cena que acredito ser a rotina vivenciada por nossa população que necessita utilizar os serviços públicos de saúde, inclusive porque banca esses serviços através de uma das mais altas cargas tributárias do mundo.

A foto que, infelizmente, ilustra esta postagem, foi tirada por mim, ontem, na Rua Lindolfo Collor, que passa ao largo do prédio da SUDENE, ali no Engenho do Meio e retrata o momento em que, finalmente, um cidadão foi socorrido pelo serviço do SAMU, isso, após passar quase duas horas deitado na rua, inconsciente e sob sucessivos ataques convulsivos, porque, mesmo acionado por diversas pessoas, inclusive esta que vos fala, não podia prestar o pronto atendimento, como devido, em razão da “existência de poucas viaturas disponíveis”. Vocês acreditam nisso?

É claro que não vou postar aqui, por respeito à dignidade do cidadão, a foto dele estendido na rua, aguardando atendimento, com algo que se assemelhava a uma sonda coletora de urina exposta, pois segundo o rapaz que o acompanhava, aquele senhor havia se submetido recentemente a uma cirurgia. Mas fiz o registro, para repassá-lo às autoridades competentes, para que investiguem a destinação dos recursos que deveriam estar sendo aplicados no aparelhamento desse sistema que foi e tem sido mote de campanhas eleitorais, inclusive com desfiles de ambulâncias pelas ruas da cidade. O pedido de socorro que fiz foi protocolo sob o nº 694986, mas insisto que quando cheguei ao local, ao sair de minha audiência, já havia pelo menos uma hora que outros transeuntes haviam acionado o atendimento do SAMU.

Não fossem as milhares de campanhas recomendando não mexer ou deslocar as pessoas acidentadas nas ruas, nós mesmos teríamos feito o transporte para um hospital mais próximo, tamanha a agonia e o desespero que aquela espera, causada pela inoperância do Poder Público nos afligia,  ainda mais que o senhor, não sei se por alguma lesão ocasionada pela queda ou pelas convulsões, já começara a sangrar.

Ao ligar para o atendimento do SAMU, ouvi que já estavam cientes da situação daquele senhor, mas que a única coisa possível a ser feita era esperar, já que havia deficiência de viaturas. Aquilo já me causou uma espécie de revolta, mas não quero imprimir cunho emocional a esse texto, por isso deixei para escrevê-lo somente hoje. É que na hora, lembrei que o prefeito e o vice-prefeito andam pra cima e pra em carros de alto luxo, blindados, cujos alugueis são pagos com o meu dinheiro, com o dinheiro daquele cidadão ali caído aguardando atendimento, que não vinha “por falta de viaturas”, pagos, enfim, com o dinheiro daqueles cidadãos que estavam ali, agoniados e ligando insistentemente para tudo que era serviço de socorro, para ver se alguém se sensibilizava e vinha acudir aquele ser humano em visível agonia.

Lembrei, também, da dinheirama que a PCR gasta com alugueis de carros para que vários cargos comissionados se desloquem confortavelmente às nossas custas e, lembrei, por fim, da outra fortuna que o povo pessimamente assistido pelo SAMU paga pelo aluguel de carros, contratação de motoristas e auxílio combustível para vereadores.

Inadmissível, portanto, que ao se ligar para um serviço de emergência como o SAMU se escute do outro lado que há carência de ambulâncias. Isso só acontece por total falta de competência, transparência e compromisso social de uma gestão e é isso que é a gestão do PT, não apenas de João da Costa, mas do PT, à frente da Prefeitura do Recife nos últimos 11 anos. Nas próximas postagens, ainda hoje, eu vou provar, com números e documentos, o porquê.

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