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terça-feira, 28 de maio de 2013

IPOJUCA, PIB AMERICANO, IDH DO SRI LANKA!

Foto: Jornal do Commercio
Despejo dos moradores da Vila do Campo por ordem do governo Eduardo Campos

O Município de Ipojuca, antes notável por suas belíssimas praias, cujo exemplo máximo é a internacional Porto de Galinhas, recentemente passou a estampar as páginas dos jornais e o noticiário em geral, não mais pela excelência de suas riquezas naturais, mais por outro tipo de riqueza, uma riqueza que se alimenta da degradação da primeira e da espoliação da classe trabalhadora.

Ipojuca, hoje, ostenta, com orgulho questionável, o segundo maior Produto Interno Bruto do Estado de Pernambuco, superando Jaboatão dos Guararapes e permanecendo, por enquanto, atrás, apenas, da Capital, Recife.  Enquanto o PIB de Ipojuca saltou para 9,03%, entre 2008 e 2009, o do Recife, caiu para 31,67% e o de Jaboatão também apresentou retração para 9,01%, no mesmo período.

Dados da Agência Condepe/Fidem nos dão conta de que as maiores contribuições para esse crescimento de Ipojuca vieram das atividades de comércio, principalmente o atacadista de combustíveis (álcool, gasolina e gás liquefeito de petróleo), a indústria de transformação e os transportes, com destaque para o modal rodoviário. E a tendência é a de que essa participação continue crescendo por causa de Suape.

Mas toda essa riqueza, desgraçadamente, não se traduz em qualidade de vida para os mais de 80.000 ipojucanos. Se observarmos, principalmente, que o PIB per capita ipojucano, ou seja, o volume de riquezas que é gerado no território de determinado lugar dividido pela população ali existente é de R$ 84.405,26, o maior de Pernambuco e muito superior, por exemplo, que o da capital do estado, que é de apenas R$ 14.485,67, a situação do povo de Ipojuca se mostrará vexatória e eu diria até criminosa para seus atuais governantes e todos que os apoiam.

O PIB per capita de Ipojuca chega a ser 8,6% maior que o dos Estados Unidos, que é de US$ 46.300,12. Quando verificamos, porém, o Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH de Ipojuca, verificamos que se revela um dos piores do estado, numa escandalosa contradição com o PIB per capita orgulhosamente ostentado pelo governo atual. Se considerarmos apenas a Região Metropolitana do Recife, a Ipojuca do PIB per capita que se apresenta maior que o dos Estados Unidos, coloca-se no penúltimo lugar, quando o assunto é desenvolvimento humano, com um índice de 0,658, superior apenas ao de Araçoiaba, com 0,637. O IDH é o índice que mede o desenvolvimento humano de cada lugar, com base na expectativa de vida ao nascer e na educação, por exemplo.

Enquanto Ipojuca tem uma produção de riquezas per capita superior à dos americanos, os trabalhadores ipojucanos, que produzem essa riqueza, vivem em condições degradantes, a ponto de seu desenvolvimento humano ser o penúltimo, dentre todos os demais da região metropolitana, igualando-se ao de países paupérrimos da Ásia, como é o caso do Sri Lanka, cujo PIB per capita é de apenas R$ 6.546,15.

Enquanto a capital Recife arrecada, em média, R$ 467,04 por habitante, a prefeitura de Ipojuca arrecada quase o dobro, ou seja, cerca de R$ 905,80 por ipojucano, sendo, portanto, novamente, o maior índice do Estado de Pernambuco.

De se questionar, portanto, o porquê de um IDH tão baixo! De se questionar o porquê das péssimas condições de vida do povo ipojucano e da ausência de políticas públicas que atendam aos reais interesses do povo de Ipojuca.

Ipojuca já pode ser tomada como um exemplo clássico da falácia do discurso de que é possível governar para todos. Para tanto é só comparar o PIB per capita e o IDH de Ipojuca e saberemos perfeitamente para quem a Frente Popular governa. Evidentemente não governa para a classe trabalhadora!

Gravíssima a situação de espoliação vivida pelos trabalhadores do Complexo Industrial e Petroquímico de SUAPE. Uma verdadeira terra de ninguém, quando o assunto são os direitos trabalhistas. Mas que se transformou em verdadeiro paraíso fiscal para os donos do capital transnacional que é sofregamente “captado” pelo governo Eduardo Campos.

As denúncias são estarrecedoras e nos remontam à época da Revolução Industrial. Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, um dirigente regional da Federação Interestadual dos Metalúrgicos chegou a relatar problemas dos funcionários do Estaleiro Atlântico Sul, onde a carga horária é de 12 horas por dia de domingo a domingo, a alimentação fornecida é de péssima qualidade e a pressão para produzir com rapidez é enorme.

Se toda essa exploração da classe trabalhadora já não fosse suficientemente revoltante, os relatos colhidos da audiência pública ainda dão conta de que os profissionais trabalham confinados dentro de estruturas de ferro sem ventilação, com graves danos à sua saúde.

O assédio moral é intenso. Em visita realizada aos canteiros de obra das empreiteiras de SUAPE, uma comissão formada por entidades ligadas aos movimentos sindicais e sociais colheram o seguinte depoimento, de um operário da construção civil:

   Somos chamados de cachorros por encarregados, gerentes e patrões. Quando reclamamos, do péssimo tratamento, das horas extras que quase nunca pagam e das péssimas condições de trabalho, eles gritam com a gente coisas como: "vocês eram cortadores de cana, passavam fome e hoje tem profissão e salário, tão reclamando de que? Até fardinha vocês tem." Veja que absurdo! — indigna-se o trabalhador.

Indignemo-nos também!

* Noelia Brito é advogada e procuradora do Município do Recife

2 comentários:

  1. Parabéns nobre colega pela coragem e compromisso para com a verdade.

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