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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Meritocracia de Eduardo e Figueiras despreza especialistas


POSTADO ÀS 15:24 EM 10 DE DEZEMBRO DE 2013
Por Noelia Brito

Outro dia escrevi um artigo apontando alguns flagrantes das incongruências entre a gestão do governador Eduardo Campos e o discurso de seu alterego, o candidato à presidência Dudu Campos. De lá para cá, pelo que tenho observado, as coisas só pioram, senão vejamos.

Com oportunismo eleitoreiro e midiático que tem sido a tônica de seu discurso, numa sintonia impressionante com o tucano Aécio Neves, o candidato Dudu Campos fez duras críticas à política do governo Dilma para a saúde, no que se refere à formação de médicos. Segundo Dudu Campos, em entrevista como candidato dada ao Programa “Frente à Frente” da RedeTV, o Programa Mais Médicos seria decorrente da “falta de “planejamento deste país”, ou seja, o governo federal, segundo Dudu Campos, não investe suficientemente na formação de profissionais médicos.

A declaração de Dudu Campos soa estranha vinda de um candidato que como governador é responsável pela redução da oferta de vagas em áreas estratégicas na Residência Médica unificada da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco.

Comparando-se os Editais para as seleções do deste ano e do próximo ano, chegamos à triste constatação de que a redução supera a casa das 50 vagas. No geral, enquanto que o Edital de 2013 selecionou para 430 vagas, o Processo Seletivo da Residência Médica para o ano da 2014, e com inscrições abertas até o dia 05 de fevereiro de 2014, trouxe uma redução da oferta para apenas 375 vagas.

Para espanto geral da comunidade médica e acadêmica, a Secretaria de Saúde comandada por Eduardo Campos e pelo Secretário de Saúde Antônio Figueiras resolveu abolir do programa, mediante a extinção das 6 vagas até então existentes, a especialização em Infectologia, quando a única referência no estado na área é justamente o Hospital Osvaldo Cruz, onde a Residência era realizada, o que poderá comprometer a assistência especializada neste serviço em nosso Estado, já que é justamente o Oswaldo Cruz a instituição que recebe a demanda de doenças infecciosas, aí incluído o brote de sarampo que já tem mais de 400 casos suspeitos com mais de 100 confirmados, só em Pernambuco, segundo fontes médicas por nós ouvidas.?

Além da gravíssima denúncia de que a residência em Infectologia foi excluída do Programa de Residência Médica da Secretaria de Saúde de Pernambuco, outras especialidades estratégicas foram claramente prejudicadas pela política da atual gestão Eduardo/Figueiras, com a redução de 46 para 35 vagas para Cirurgia Geral, das quais 6 vagas foram excluídas absurdamente do HRA Hospital Geral do Agreste, responsável que é pelo atendimento da demanda do Agreste e Sertão do Moxotó e outras 5 vagas do HOUC - Hospital Oswaldo Cruz.

Para a especialidade Clínica Médica, a redução foi de 61 para 58 vagas, estas no HRP Hospital Real Português.???Para a especialização em Ginecologia e Obstetrícia, a redução foi de 42 para 30 vagas, enquanto isso, o aliado e apadrinhado de Eduardo, o prefeito Geraldo Julio, faz alarde sobre a construção de um Hospital da Mulher. Qual a finalidade de se construir Hospitais sem médicos? Servir às construtoras?

Já para ?Pediatria, reduziram-se as vagas de 38 para 32, ou seja, 6 vagas na UPE.??Cardiologia perdeu 12 vagas, este ano, sendo que todas da UPE.????Cirurgia Vascular teve perda de 4 vagas e Mastologia caiu de 7 para 5 vagas, também na UPE, o que deixa clara a intenção da Secretaria de Saúde do governo Eduardo Campos/Antônio Figueiras em esvaziar totalmente a participação da Universidade Estadual de Pernambuco em seu Programa de Residência Médica.

Outra situação gravíssima é a das especialidades de Hemodinâmica e Cardiologia intensiva que simplesmente foram descredenciadas do Programa, no qual tinham duas vagas anteriormente. As duas áreas são responsáveis pela formação dos médicos responsáveis pela realização de cateterismo e colocação de “stents”, ou seja, importantíssimo para a garantia da sobrevida em pacientes infartados.

Incompreensível, à luz da boa gestão da saúde pública, que se exclua a formação desses profissionais de um Programa de Residência, em um governo que se diz compromissado com a universalização dessa saúde. E, para completar o circo de horrores, a dupla Eduardo/Figueiras resolveu também excluir a formação de especialistas em Neurologia Pediátrica e depois nós que fazemos a sociedade pernambucana ainda tivemos que assistir ao espetáculo grotesco da recondução, pelo Tribunal Regional Federal da 5­ª Região, desse Secretário de Saúde ao posto, após seu corretíssimo afastamento por sentença do Juiz Federal Roberto Wanderley, deslealmente chamado de irresponsável pelo primo do governador, o procurador geral do Estado Thiago Norões.

Depois do que esses senhores fizeram com a saúde de nosso povo e de nosso Estado, quem é o irresponsável, afinal?

Noelia Brito é advogada e procuradora do Município do Recife

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