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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

JABOATÃO: Nossa educação continua na UTI e em COMA induzido, por Gerson Vicente


Por Gerson Vicente*
Gostaria de fazer alguns comentários sobre as declarações do secretário de educação de Jaboatão na rádio Cidadania. Ele afirmou hoje que a educação em Jaboatão está avançando. Antes de afirmarmos que a educação municipal está avançando ou não, precisamos definir quais critérios iremos utilizar. Infelizmente, paira na mente de muitos secretários e até de grande parte da população que apenas construir novas escolas é sinônimo de melhorias na qualidade dos serviços educacionais prestados pelo município. Para essa gestão Elias Gomes/PSDB, por exemplo, apenas a construção de novas escolas é sinônimo de avanços significativos na área de educação. Eu discordo. Mesmo que a prefeitura tivesse construído a quantidade de escolas prometidas há 4 anos, a realidade da nossa educação não mudaria muito.
Explico. Qual o impacto positivo de se construir novas escolas e não se garantir a manutenção permanente, principalmente na parte elétrica e hidráulica dessas escolas, como por exemplo, no CAEE e na Aníbal Varejão em Vila Rica? (No CAEE a situação é mais desesperadora, pois existe infiltração e parte da fiação elétrica está exposta, podendo ocasionar choques, curto-circuito e incêndios a qualquer momento. O secretário de educação foi avisado da situação em Agosto/2013 e até agora nada!).O que adianta termos novas escolas e os alunos passarem 5 meses sem professor de matemática? O que adianta construir novas escolas e os alunos passarem 6 meses sem aula por causa de uma reforma mal planejada e executada (Escola Tecla Teixeira)? O que adianta construir novas escolas para mais de 200 alunos sem quadras poliesportivas? O que adianta concluir a reforma e os alunos não terem merenda? O que adianta nossas escolas receberam computadores, Tvs, Dvds e outros equipamentos do Programa Mais Educação do Governo Federal e no primeiro final de semana os bandidos furtarem tudo e ainda utilizarem crack dentro da escola, uma vez que nossos guardas-municipais são uma espécie em extinção, sem efetivo, sem armas e sem infraestrutura? (Exemplo da escola Aníbal Varejão). Câmeras substituem completamente a guarda ou são instrumentos complementares de segurança? As lágrimas das gestoras que perderam todos os novos equipamentos por causa da omissão da Prefeitura em garantir a segurança patrimonial comovem vocês? Apenas 100 novas vagas para guardas municipais resolveria o nosso déficit histórico no efetivo? (Temos um efetivo de apenas 307 guardas em Jaboatão). Quanto foi gasto até agora com as empresas de equipamentos de segurança?. O que adianta construir novas escolas e os gestores escolares terem que se dirigir à secretaria de educação várias vezes e se humilhar para tentar solucionar esses problemas apresentados? O que adianta a Prefeitura estabelecer que se a escola não melhorar o IDEB o gestor da mesma será punido e não poderá se reeleger, mesmo a Prefeitura se omitindo do seu dever legal e o gestor escolar tendo se deslocado para a secretaria de educação inúmeras vezes para solucionar os problemas da sua escola?1234937_10201330472436401_1377444741_n
Precisamos de um secretário de educação que tenha pelo menos a mesma ousadia e determinação do educador Paulo Freire ao assumir o cargo de secretário de educação da cidade de São Paulo. Como secretário, ele impediu a construção de novas escolas “meia-boca”, para “qualquer um” até reequipar e reformar as já existentes, visitando cada uma, ouvindo dos gestores escolares, dos professores e da comunidade as necessidades da unidade e estabelecendo prazos para resolvê-la. Nesse momento, Paulo Freire fez o básico, mas necessário para a educação pública de São Paulo começar a avançar. Ele não revolucionou a educação da cidade de São Paulo, mas plantou a semente da mudança de paradigma, priorizando a qualidade ao invés da quantidade. A qualidade muda a vida das crianças para sempre. A quantidade serve mais para fins eleitorais. Para tirar a nossa educação da UTI precisamos começar ouvindo nossos gestores escolares e professores, priorizar a manutenção preventiva e contínua nas nossas escolas e garantir a segurança nas unidades de ensino. Precisamos ir nas escolas, sentir as suas dificuldades, olhar para o rosto dos alunos cujo futuro se relaciona com as nossas ações, verificar as peculiaridades de cada escola e jamais tratá-los como meros números e indicadores educacionais. Não é ouvir para enganar e acalmar os ânimos dos profissionais da educação(Ex: Consulta Popular realizada em Jaboatão), mas ouvir tendo o objetivo de implementar as mudanças necessárias na nossa educação. Esse deve ser o primeiríssimo passo. Uma outra  filosofia no trato da nossa educação pública é possível. Não priorizar a qualidade das escolas é optar pelo cinismo institucional e perpetuar o padrão estrutural desastroso das nossas escolas.

* Do Núcleo Educacionista de Jaboatão dos Guararapes

Um comentário:

  1. E o governador ainda que jogar varias escolas na mão de Elias Gomes, não que Eduardo seja competente na Educação, mas porque Elias Gomes é um total fracasso.

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