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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Copa do Mundo: CPI da CBF, o legado que Aécio não quis deixar



O candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves, tem liderado, desde que se lançou na corrida sucessória e não antes disso, uma oposição sistemática ao governo Dilma Rousseff. Eduardo Campos, depois de passar os últimos 13 anos participando da base aliada do governo petista, sonhando em se cacifar para um eventual segundo turno na corrida presidencial, resolveu recrudescer os ataques contra Dilma, assumindo posição crítica até mais feroz que a de Aécio ao governo da presidenta. Bem que Eduardo tentou assumir essa liderança, mas seu governismo de mais de uma década lhe tirou a credibilidade para assenhorear-se da função historicamente ocupada por demotucanos, ainda que não exatamente na figura de Aécio Neves.

Ocorre, entretanto, que  se o discurso de Campos se mostra difícil de engolir devido a sua participação pra lá de fisiológica no governo que ora tanto encontra motivos para criticar, inclusive do ponto de vista do fisiologismo, coerência também não é o ponto alto do discurso e da história de Neves.

Ao mesmo tempo em que liderou visitas de colegas oposicionistas, que iam desde o democrata Agripino Maia, até o psolista Randolfe Rodrigues, ao Supremo para garantir que se abrisse uma CPI para investigar a Petrobras, há bem pouco tempo, Aécio liderava outro tipo de movimentação: a de enterrar CPIs. É o caso, por exemplo, da CPI da CBF, que foi enterrada por ele, juntamente com seu parceiro de longas datas, o ex-presidente do Cruzeiro, senador Zezé Perrella.

A CPI da CBF pretendia investigar  as federações e a própria CBF, por indícios de abuso de poder econômico nas eleições e reeleições de dirigentes, bem como as transferências irregulares de recursos, desvios de verbas, irregularidades no recolhimento de tributos à Previdência Social e nas prestações de contas das receitas próprias e de recursos oriundos de convênios com órgãos públicos. Numa manobra comandada por Perrella e negociada por este e Aécio Neves com José Maria Marin, atual presidente da CBF, em novembro de 2013, nove senadores retiraram suas assinaturas do pedido de CPI que por irônico que possa parecer, fora protocolado por um senador do próprio Partido de Aécio, o PSDB. Os senadores que foram convencidos por Perrella a retirar seus nomes da CPI da CBF foram os seguintes: Ivo Cassol (PP-RO), Lobão Filho (PMDB-MA), João Alberto (PMDB-MA), Maria do Carmo Alves (DEM-SE), Cícero Lucena (PSDB-PB), Wilder Morais (DEM-GO), Clésio Andrade (PMDB-MG), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Paulo Davim (PV-AC). O argumento utilizado por Perrella para arquivar a CPI foi o de que esta não seria boa para a Copa do Mundo.

O senador Zezé Perrela, presidente do Cruzeiro até 2011, havia obtido pouco antes, juntamente com Aécio, um grande favor de Marin, em benefício do time de ambos, o Cruzeiro, penalizado pelo STJD com perda de mando de um jogo importante contra o Grêmio, decorrente de brigas de torcidas.

Quando era presidente da Câmara dos Deputados, em 2001, coube também a Aécio, decidir pelo arquivamento uma denúncia de crime de responsabilidade contra o então presidente Fernando Henrique Cardoso, acusado formalmente pelos juristas  Celso Bandeira de Melo, Dalmo Dallari, Fábio Konder Comparato, Godofredo da Silva Telles e Paulo Bonavides, de ter liberado verbas para deputados, em troca do arquivamento da CPI da Corrupção.

O recebimento da denúncia seria o primeiro passo para a abertura de um processo de “impeachment” contra FHC. Embora para arquivar as denúncias dos juristas, aliás, dos mais notáveis em atividade no país, à época, Aécio tenha afirmado que inexistiriam quaisquer provas ou indícios que justificassem a abertura de investigação contra FHC, dados do Siafi (sistema que acompanha a liberação de recursos do Tesouro), um dia depois da operação de retirada de assinaturas do requerimento que determinou o arquivamento da CPI, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano liberou R$ 18,4 milhões, soma maior do que havia sido liberado durante todo o ano, que foi de R$ 17,3 milhões.

Como se vê, não é preciso utilizar levianamente a vida pessoal de cada um para se descredenciar um concorrente politicamente. Suficiente mostrar os fatos que pontuaram sua carreira política. Essa carreira, sim, é a que realmente interessa ao eleitor conhecer.

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