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sábado, 19 de julho de 2014

A autofagia petista é a maior ameaça à reeleição de Dilma



Por Noelia Brito

Muito se tem questionado o discurso incongruente do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na qualidade de candidato à presidência da República, pelo PSB, extremamente dissociado de suas práticas políticas, seja durante seus mais de sete anos à frente do governo de seu Estado, seja como articulador das candidaturas de seu Partido, que conduz com mãos de ferro.

Entretanto, tem chamado atenção,  o fato de Eduardo, em suas críticas ao governo que até bem pouco tempo integrava, não apenas na base, mas com cargos de relevo, em ministérios e estatais de orçamentos bilionários, centrar suas críticas, pesadamente, na figura da também candidata, portanto, sua concorrente direta, a presidenta Dilma Rousseff, poupando e por que não dizer, até blindando, o maior cabo eleitoral e padrinho político da presidenta, o ex-presidente Lula, de suas críticas e de qualquer responsabilidade por tudo que considera negativo do Governo Federal.

A postura protecionista de Eduardo com a figura de Lula não passou desapercebida quando foi entrevistado pelo Programa Roda Vida, ocasião em que chegou a ser ironizado pela colunista Dora Krammer, de “O Globo”, presente na bancada de entrevistadores.

Em recente sabatina promovida pela Folha/UOL/SBT, Eduardo também foi questionado sobre o porquê de sua blindagem a Lula. Em resposta, disse, simplesmente, que Lula não era candidato, como se Lula não estivesse em plena campanha, percorrendo o país e declarando que reeleger Dilma e eleger Padilha ao governo de São Paulo eram questão de vida, para ele, Lula.

Ontem mesmo, ao declarar apoio à reeleição de Dilma, numa entrevista coletiva em que também declarou apoio a candidaturas que fazem oposição aos candidatos de Eduardo Campos, em Pernambuco, a vereadora Marília Arraes, que além de ser do PSB, é prima do ex-governador, confessou-se incomodada com o fato de Eduardo Campos andar fazendo ataques que apontou como sem fundamento contra Dilma, quando todos sabem, segundo a própria Marília, que o governo Dilma é parte do mesmo projeto que Eduardo diz apoiar desde 1989, ano da primeira candidatura de Lula à presidência.

Eduardo, a princípio, integrou-se a um movimento que pretendia usurpar a candidatura de Dilma à reeleição. Conforme já revelei em outros textos, esse movimento, o chamado “Volta Lula”, foi capitaneado pelo presidente da Construtora Odebrecht, que defendia uma chapa com Lula substituindo Dilma e Eduardo Campos na vice. Eduardo Campos ouviu o canto da sereia e se encantou com ele. Acreditou que poderia destruir a reputação da presidenta, taxando-a de incompetente, já que de desonesta ninguém poderia ou poderá ousar chamá-la e o fez com o auxílio de  boa parte do empresariado que, como Flávio Odebrecht, teve seus interesses contrariados pela tão criticada intransigência de Dilma com malfeitos e benesses. Contava, ainda, com o incentivo de alguns petistas de alta patente, incomodados com a diminuição de seu poderio nos negócios do governo, que acusavam Dilma de “falta de jogo de cintura e inapetência para o diálogo”, característica que, para o cidadão comum, poderia ser traduzida, simplesmente, como falta de aptidão para as safadezas tão vulgarizadas no mundo da política, que não saber praticá-las passou a ser defeito.

Mas o fato é que Dilma resistiu. Com todos os ataques, traições e “fogo amigo”, Dilma resistiu e se firmou como candidata, enquanto Eduardo corre o risco de perder tudo, inclusive sua hegemonia política em Pernambuco. Entretanto, o “fogo amigo” que foi lançado contra ela, por personalismo e ganância de alguns de seus colegas de Partido, pode custar muito caro para o próprio PT. Já ao PMDB, que também participou das orquestrações e sabotagens contra a candidatura de Dilma, não custará nada, pois o governismo é da sua natureza, seja quem for o titular da cadeira presidencial.

Na pesquisa espontânea, divulgada hoje pela Istoé/Sensus, ou seja, naquela em que o eleitor tem que lembrar o nome do candidato em quem vai votar, tal qual no dia da eleição, Dilma foi citada por 21% dos eleitores consultados, uma queda de 1,5% com relação à pesquisa anterior do mesmo instituto portanto, dentro da margem de erro. Já o ex-presidente Lula que antes era lembrado por 13,3% dos eleitores, foi mencionado apenas por 3,5%, confirmando a compreensão do eleitorado de que Dilma é a candidata e enterrando em definitivo o “Volta Lula”. Já Aécio caiu de 12,9% para 9,8 e Eduardo Campos, que apresentava 5,1%, caiu na preferência do eleitorado, sendo citado por apenas por 3,2%.

O dado que deve soar como alerta para os petistas, porém, principalmente para aqueles que tentaram sabotar a candidatura do próprio Partido, ao sabotar, juntamente com Eduardo Campos e boa parte do empresariado, a candidatura de Dilma Rousseff, é que não apenas na pesquisa Datafolha, mas também na pesquisa divulgada, hoje, pelo Sensus, num eventual segundo turno, o risco de o PT sair derrotado, nunca foi tão grande e o que mais impressiona é que seria uma derrota para o mais fraco dos candidatos que os tucanos já apresentaram em toda a sua história. Em ambas as pesquisas, há empate técnico entre Dilma e Aécio na eventualidade de um segundo turno.

Os casos de auto-sabotagem do PT não são novidade quando se trata de eleições municipais e estaduais, entretanto, a autofagia petista chegou a um nível tal, que põe em risco a própria eleição presidencial. A campanha de Dilma, que, em última instância, é a campanha do próprio PT, está parada e a mercê das disputas internas e dos projetos pessoais em busca de mandatos e espaços.

Em Pernambuco, por exemplo, onde o PT justificou para sua militância que não lançaria candidatura própria para priorizar a reeleição da presidenta Dilma, com um palanque forte, sequer se instalou um comitê de campanha para trabalhar pela reeleição, cujos dirigentes petistas afirmaram ser prioridade e nem se vê o candidato Armando Monteiro justificando o apoio que recebeu do PT, a ponto de ser acusado pelo prefeito Geraldo Julio, coordenador de campanha de seu adversário, o ex-secretário Paulo Câmara, de esconder Dilma  de sua campanha.


Diante de dois candidatos fracos como Aécio e Eduardo, o PT corre o risco de ser derrotado pelo próprio PT e não pela oposição cambaleante. Vale prestar muita atenção ao que o próprio Lula afirmou, ontem, ao analisar o resultado do Datafolha. Disse Lula que depois de concorrer a tantas eleições, perdendo e ganhando, aprendeu sobre pesquisas que essas não devem ser desprezadas quando nos desfavorecem, antes, devem nos guiar para o caminho que deveremos seguir dali em diante. Lula, inegavelmente, sabe das coisas, embora quase nunca fale exatamente o que pensa.

Um comentário:

  1. Entendo que a Dilma deve centrar sua campanha nas ações de JUSTIÇA SOCIAL. Atenção especial na saúde, na educação, na mobilidade do setor público. Promover o pleno emprego e incentivar a produção nacional. Ter controle sob a inflação.

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