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sábado, 6 de dezembro de 2014

Enquanto se aconselhavam com fraudadores, diretores da Reciprev usavam reuniões do Conselho para criticar a presidenta Dilma e o Ministro da fazenda




Mais um caso que passou estranhamente despercebido pela imprensa local foi a contratação, pela Reciprev, autarquia responsável pela gestão do Fundo Previdenciário dos Servidores Municipais da Capital de Pernambuco, da consultoria PLENA, flagrada pela Polícia Federal aplicando golpes milionários em previdências municipais e estaduais pelo país a fora.

Só na previdência do Estado do Tocantins, o golpe, que também envolveria a Corretora NSG Capital, segundo pedido de CPI protocolado por parlamentares daquela unidade da Federação, ultrapassaria os R$ 175 milhões (http://sapl.al.to.gov.br/sapl/sapl_documentos/materia/39135_texto_integral). 

De acordo com o Inquérito nº 0372/2012-11, conduzido pela  Divisão de Repressão e Crimes Financeiros da Polícia Federal, em São Paulo, no que tange às aplicações em fundos de investimento em crédito privado, a situação é ainda mais grave. Os peritos avaliaram cada um dos fundos indicados pela PLENA aos RPPS como boas opções de investimento e notaram a precariedade de tais fundos.

Segundo a Polícia Federal, a empresa PLENA Consultoria tem sua sede no mesmo edifício onde se localiza a SIMCRED ANÁLISE DE CRÉDITO LTDA, ambas fazem parte de um complexo societário criado pela Organização Criminosa para operar a série de crimes.

A PLENA contava com uma carteira de clientes superior a 120 Regimes Próprios de Previdência Social, tendo como principais responsáveis de fato CELSO STEREMBERG, MARCO ANTONIO ANDRADE MARTINS e HENRIQUE ANDRADE MARTINS.

Até pouco tempo atrás (dezembro de 2013) os sócios formais da PLENA eram REGINA ISABEL ANDRADE MARTINS (esposa de MARCO ANTONIO e mãe de HENRIQUE) e MARJORIE STEREMBERG (filha de CELSO).

REGINA ISABEL ANDRADE MARTINS e MARJORIE STEREMBERG retiraram-se da PLENA. Na mesma data, foi admitido o testa-de-ferro EDUARDO BALCONI NAKAMURA, que se tomou o único cotista detendo a totalidade do Capital Social. o novo sócio da PLENA também figura no quadro societário da CONTRATUAL CONSULTORIA E ASSESSORIA PREVIDENCIÁRIA LTDA e BRASILCONSIG ANÁLISE DE CRÉDITO LTDA, na condição de sócio administrador das empresas, deixando claro o intensivo uso de seu nome para criar barreias à ação Estatal. Anteriormente, EDUARDO já teve participação societária na ADD INVESTMENTOS AGENTE AUTÔNOMO DE INVESTIMENTOS LTDA (DAPES INVESTIMENTOS) até 12/11/2012, empresa que ainda mantém relacionamento com a PLENA. Muitos dos alvos interceptados durante as investigações usam telefones cadastrados em nome de uma das empresas do Grupo, já extinta, de nome SOLUÇÃO ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. A SOLUÇÃO teve REGINA ISABEL ANDRADE MARTINS em seu quadro societário. Por ocasião de sua saída da empresa, a sede social foi alterada para o endereço da Av. Nove de Julho. Antes do fechamento da SOLUÇÃO, em fevereiro de 2012, JOSÉ ROBERTO OUBINA e CRISTIANO LELIS constituíram a empresa ELITE ANÁLISE DE CRÉDITO LTDA. Esta empresa permanece ainda ativa e tem sua sede igualmente na Nove de Julho, 5569 -  neste endereço, foi identificada a existência de outra importante empresa da Organização Criminosa. Trata-se da empresa JECARD ANÁLISE DE CRÉDITO LTDA.

Ainda segundo o inquérito que deflagrou a Operação "Fundo Perdido", valendo-se de empresas inexistentes ou coligadas, a PLENA apresentava proposta economicamente mais vantajosa que os supostos concorrentes e, ao mesmo tempo, com valor que dispensava licitação. O resultado eram contratos  ilícitos com os Regimes de Previdência. Em alguns casos, a estratégia era oferecer os serviços em caráter experimental e gratuito por 6 meses.

Diante de tudo, a PF vislumbrou de forma clara a formação de uma grande quadrilha organizada em tomo da estrutura empresarial da PLENA e da SIMCRED, organizadas profissionalmente para o cometimento de crimes de fraude à licitação, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações da Polícia Federal, o responsável pelo contato com os administradores dos Fundos de previdência era Henrique Martins, em razão de seus conhecimentos sobre o mercado financeiro seria um dos cabeças da organização criminosa.

A leitura das Atas das Reuniões do Comitê de Investimentos da Reciprev deixa clara a participação constante e ativa da pessoa a quem a própria Polícia Federal nominou como  "chefe da quadrilha", nas reuniões que decidiram várias aplicações e investimentos dos recursos do Fundo de Previdência dos Servidores do Recife. Na Ata do dia 20 de junho de 2013, por exemplo, o Diretor Executivo da Reciprev, Francisco Canindé destaca os cursos que a PLENA estaria oferecendo aos gestores da autarquia, ao mesmo tempo em que eleva a importância da presença da PLENA nas reuniões daquele Comitê, "tendo em vista a transmissão de conhecimento, e o entendimento de como estão sendo gerenciados os recursos aplicados." O ponto pitoresco da reunião, entretanto, é que em meio aos elogios que são feitos aos executivos de há muito conhecidos por aplicarem golpes em fundos de previdência, conforme resta claro nos documentos na Operação "Fundo Perdido" e aos louvores por tudo que os golpistas têm a ensinar aos gestores da Reciprev, não faltam críticas diretas, feitas por um dos representantes de uma das consultorias ali presentes, numa dobradinha com o Gerente de Investimentos da Reciprev, à presidenta Dilma e ao Ministro Guido Mantega, a quem atribuem "falta de posicionamento firme e consistente".

Talvez o senhor José Marcos considere posicionamento firme aplicar R$ 5,9 milhões do dinheiro das aposentadorias e pensões dos servidores da Prefeitura do Recife em Fundos geridos pela já mencionada Corretora NSG Capital, que por causa da Operação "Fundo Perdido" já mudou inclusive de nome para MHFT Investimento e que está sendo acusada de causar prejuízos milionários aos servidores do Estado do Tocantins.

CELSO STEREMBERG, apontando pela Polícia Federal como um dos cabeças da PLENA, é figura bastante conhecida no meio comercial e financeiro de Pernambuco, sendo de se estranhar que seja tido como referencial pelos gestores da Reciprev, uma vez que como diretor da Casa Lux Ótica, responde a várias Execuções Fiscais na Justiça Federal e chegou a ser acusado, pelo Ministério Público Federal de sonegação do Imposto de Renda e, pasmem, de contribuições previdenciárias.
















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