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terça-feira, 16 de junho de 2015

Raiz Movimento Cidadanista quer ser alternativa de esquerda

Do Jornal do Comércio

Com foco na horizontalidade, grupo se inspira no Podemos, da Espanha
Fernanda Nascimento
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Marcelo Soares coordena ação no Rio Grande do Sul
Marcelo Soares coordena ação no Rio Grande do Sul
A desilusão com a reprodução de práticas autoritárias e eleitoreiras em partidos políticos de esquerda é uma das motivações para os criadores do Raiz Movimento Cidadanista. O partido-movimento, formado por militantes sociais, acadêmicos e ativistas de diversos setores, lançou sua carta-manifesto em março e, no final de maio, se reuniu em Campinas, São Paulo, para alinhavar seu estatuto. Com uma proposta de horizontalidade, o Raiz Movimento Cidadanista se inspira em agremiações como o Podemos, da Espanha - que recentemente elegeu os primeiros representantes.
O manifesto de lançamento assinala os três eixos nas quais se alicerça o Raiz: Ubuntu, Teko Porã e Ecossocialismo. Ubuntu remete a uma palavra de origem africana e tem como significado o rompimento com a individualidade e a construção da coletividade. Teko Porã se origina dos povos latino-americanos e propõe um conceito de "bem-viver", em diálogo com a natureza. O Ecossocialismo traz a necessidade de diálogo entre a ecologia, o socialismo e o marxismo.
O principal nome do Raiz é a deputada federal Luiza Erundina (PSB). Conforme a parlamentar, o movimento está angariando adeptos justamente pela inovação na forma de participação. "O movimento se constrói muito na perspectiva da horizontalidade sem restrição. É uma experiência inovadora do ponto de vista da garantia da participação direta", explica. Neste sentido, a carta lançada pelo movimento afirma a necessidade de o partido-movimento ser "um diálogo entre cidadãos e não atalho para as castas dirigentes. Um partido que dialogue com os movimentos, sem cooptá-los. Um partido em movimento".
O objetivo imediato do Raiz não é a disputa eleitoral. A ideia é de construção do partido para as eleições de 2018 - mas sem pressa, como afirmam os integrantes. Luiza Erundina disse que o grupo não tem procurado políticos com mandatos para engrossar as fileiras, mas "tem sido procurado por muitas pessoas". "Não está descartado que, em um futuro, nos tornemos uma organização partidária para disputar poder e ideias. Estamos sendo procurados por parlamentares insatisfeitos com suas legendas e direções, pessoas do campo socialista de esquerda, que se interessam em dialogar com a proposta sem o compromisso de adesão ou filiação", afirma. O partido-movimento já realizou reuniões em vários locais do Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul. Marcelo Soares, integrante no Estado, afirma que uma das principais ideias é a de "cidadanismo" e participação democrática mais direta por todos. "É uma alternativa de esquerda, sem fazer o discurso anti-petista, mas acreditamos que assume claramente o papel de inserção nas lutas dos movimentos sociais", disse.
Atualmente, além das discussões globais, que envolvem a construção do partido-movimento como um todo, o Raiz se organiza através de círculos. Nos círculos temáticos, as discussões são sobre reforma urbana e política de drogas, por exemplo. Já os círculos identitários reúnem população LGBT, indígenas, negros. Os integrantes do partido também podem ser agrupados por territórios: estados, cidades ou universidades. "A experiência partidária no Brasil tem uma verticalidade, dirigentes que se perpetuam, que são donos do partido. Nossa proposta é de um espaço plural e democrático, de baixo para cima, retomando as origens do Brasil negro e indígena e voltado para a sustentabilidade e o diálogo", resume Luiza Erundina.

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