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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

EM FISCALIZAÇÃO, COREN FLAGRA CAOS NO GETÚLIO VARGAS


Em fiscalização realizada ao Hospital Getúlio Vargas, na última segunda (17), o Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) visualizou o total descaso com que os profissionais de enfermagem estão sendo tratados.

O sucateamento da estrutura física, a falta de equipamentos de proteção individual e insumos básicos para o atendimento dos pacientes, se tornaram uma constante nos hospitais da Rede Pública do Estado.

Além disso, ressaltamos os baixos salários, a sobrecarga de trabalho e consequente desvalorização profissional.


A situação encontrada é de calamidade. Na emergência, a fiscalização encontrou setenta pacientes no corredor e apenas dois enfermeiros para prestar assistência. Outra irregularidade registrada é que o enfermeiro da emergência fica com os pertences dos pacientes, onde há um livro com descrições dos mesmos (cartão de crédito, dinheiro, celular, dentre outros).

A fiscal responsável presenciou na área vermelha da emergência, pacientes graves que deveriam estar em Unidade de Terapia Intensiva – UTI. Além disso, na sala de medicação, haviam 18 pacientes internados, dispostos no chão, em maca de ambulância e cadeiras, onde os próprios pacientes se revezam nos leitos em detrimento de outros em estado mais grave.



O cenário a que os profissionais de enfermagem e a sociedade estão submetidos é inconcebível. Os elevadores estão constantemente quebrados, falta soro fisiológico, lençóis (os pacientes passam dias sem que as roupas de cama sejam trocadas), muitas infiltrações nas paredes, teto desabando, dentre outros. Os profissionais relatam também constante falta de água, o que obriga tais profissionais a realizarem o banho no paciente com água destilada (própria para diluição de medicamentos). A lavagem das mãos com a falta de água, muitas vezes e feita com soro fisiológico, para minimizar os riscos de contaminação.




Os Postos de enfermagem se encontram com iluminação precária o que compromete a realização dos procedimentos. A fiscalização se deparou também com um acentuado déficit de profissionais, o que compromete a qualidade da assistência prestada. Muitos setores possuem apenas um enfermeiro trabalhando. Se o mesmo precisar acompanhar um paciente em outros procedimentos, ficam todos sem assistência. O hospital tem 3 UTIS, sendo uma fechada por falta de médicos e profissionais de enfermagem. A estimativa é de que menos de 50% sejam concursados, os outros são contratos a vencer e plantões extras. Todos os setores estão com internamento acima da capacidade. Além disso, a unidade de saúde não oferece segurança alguma, considerando que os profissionais da segurança são terceirizados e estão em greve, o que viabiliza a entrada de qualquer pessoa as dependências do hospital, o que e mais perigoso no horário noturno.


A Presidente do Coren-PE, Dra. Giovana Mastrangeli avalia como inadmissível a postura negligente da administração pública diante do caos instalado. O Coren tem intensificado as fiscalizações e reunido esforços para exigir do Governo do Estado plena solução dos problemas relatados. Após a conclusão do relatório pela fiscal responsável, o Coren-PE avaliará a possibilidade de realizar interdição ética dos setores mais críticos, além de entregar em mãos o relatório ao Ministério Público.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do COREN

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