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domingo, 15 de novembro de 2015

30 ANOS DE UMA ELEIÇÃO ESPETACULAR


Por Érico Firmo, para o jornal "O Povo" de Fortaleza

Uma mostra do choque provocado pela eleição de Maria Luiza, que amanhã completa 30 anos: hoje, das 26 capitais brasileiras, só uma é administrada por mulher: Teresa Surita (PMDB), de Boa Vista (RR). Se os espaços para as mulheres na política estão hoje muito aquém de sua representação na sociedade, que dirá do cenário três décadas atrás, em 1985.

Aquele era um Brasil que começava a redescobrir a democracia. Antes de 1985, nenhuma mulher havia sido eleita prefeita de Capital alguma. Naquele ano, foram duas: Gardênia Gonçalves em São Luís (MA) e Maria Luiza Fontenele em Fortaleza.

Porém, eram situações distintas. Gardênia era dissidente do clã Sarney. Filiada ao PDS – partido herdeiro da Arena, legenda oficial da ditadura – integrava o grupo que se recusou a romper com o regime militar. Sua eleição não foi exatamente uma novidade política. Porém, foi um marco quando derrotou o candidato de José Sarney, que chegara meses antes à Presidência.

Maria Luiza, porém, era diferente. Além de uma das primeiras mulheres eleitas prefeita, foi a primeira candidatura do PT vitoriosa em Capital. Se em 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela primeira vez, o PT inspirava medo, o que dirá 17 anos antes.

Mas Maria não era só PT. Egressa de grupos clandestinos que lutaram contra a ditadura militar, ela integrava, na verdade, um partido extraoficial que encontrara abrigo dentro do PT: o Partido Revolucionário Comunista (PRC). Ou seja: era o grupo mais radical a já ter ocupado espaços de poder no Ceará.

A eleição foi uma absoluta surpresa. O Ibope reconhece aquele como o maior erro de sua história – e olha que não são poucos.

Maria Luiza hoje integra o Movimento
"Crítica Radial",
juntamente com Rosa da Fonseca e Jorge Paiva
A gestão foi atribulada, no mínimo. Prefeituras ainda não tinham a autonomia conferida pela Constituição de 1988. Sem dinheiro e sem experiência administrativa, instaurou-se crise urbana. Não havia dinheiro. Na política, deu-se o caos. Maria rompeu com o PRC e acabou expulsa do PT em pleno mandato. A promessa e a esperança não se confirmaram. Porém, aquela eleição foi um marco. Ficou na história.


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