O estudo do balanço financeiro da Moura Dubeux nos últimos anos explica ao menos em parte, embora não justifique, a agressividade da empresa na campanha por tornar realidade o Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 12 torres de até 40 andares em área histórica da cidade. A construtora, principal empresa do consórcio que pretende edificar o empreendimento no cais José Estelita, passa por uma situação preocupante e delicada em suas contas e na sua operação.
Nessas circunstâncias, não é equivocado considerar que a venda das 12 torres projetadas representam um alívio de caixa para a empresa. O contexto econômico, por outro lado, avisa dificuldade que será negociar a venda do empreendimento.
O quadro geral da contabilidade da empresa permite confirmar a crise geral que se abate sobre o setor da construção civil no país. É que nos últimos dois anos o mercado imobiliário brasileiro vem passando por uma virada com toques dramáticos. Essa mudança se refere basicamente a um processo de desaceleração: queda de vendas, aumento de estoques, redução nos lançamentos, juros mais altos, disparada dos distratos, maior desemprego no setor, etc. “Nesse quadro, muitas empresas do setor de construção e incorporação estão muito endividadas e precisam se desfazer urgentemente dos imóveis que construíram para quitarem débitos”, afirmou o proprietário de uma grande construtora local que pediu sigilo.
Em números: nos últimos 12 meses o preço dos imóveis em 20 cidades brasileiras subiu apenas 0,53% quando se leva em conta o índice FipeZap. Essa é a menor variação desde 2008. Por outro lado, a inflação medida pelo IPCA deve ficar na casa dos 9,5% no mesmo período, segundo o Boletim Focus do Banco do Brasil. Assim, considerando o efeito da inflação, é uma queda média real de 8,1% no preço de imóveis.
O setor registrou, no último trimestre encerrado em janeiro de 2016, uma queda de 14,8% nos lançamentos frente ao mesmo período de 2015. Os indicadores de vendas (-16,6%), e, principalmente, de entregas (-39,2%) também recuaram na mesma base de comparação. Segundo a consultoria ITC, as obras residenciais receberam aportes de US$ 39,42 bilhões em 2015 – o que já representou uma diminuição de 19,6% em relação a 2014.
“Nessas circunstâncias acho difícil o consórcio (Novo Recife) conseguir vender todo o projeto. A economia está mais frágil, o comprador está inseguro e as empresas endividadas”, afirma a mesma fonte.
Por outro lado, os balanços financeiros da Moura Dubeux também explicitam o modelo em que esse setor da economia em especial se apóia para continuar a produzir e circular riqueza.
Resolvemos ir a fundo na análise contábil das contas da Moura Dubeux no período que vai de 2010 a 2015, num conhecido caminho de investigação: saber por onde circula o dinheiro. Ou por onde deveria circular. Esse esforço de análise se justifica: a construtora tornou-se nos últimos anos um personagem importante do cenário de mudanças pelo qual a cidade do Recife passa, sendo acusada de interferir diretamente na formulação de políticas públicas e/ou intercedido nasatividades de funcionários públicos.
Seguindo essa tese, o interesse público vem sofrendo intervenções guiadas pelo vetor do interesse privado. Então é razoável afirmar que é importante conhecer melhor esse ator do cenário político e econômico. Como a empresa é de capital aberto e tem ações cotadas na bolsa de valores, suas contas são disponíveis publicamente justamente para a discussão pública, o que fazemos aqui.
O trabalho foi feito em parceria com um professor pesquisador de uma instituição de ensino Federal da área de economia, especializado em certificações financeiras e formação em Finanças e que atua em outro estado da federação. O profissional prefere não se identificar.
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