CORRUPÇÃO: NA NOVELA DA VIDA REAL, SUPREMO TAMBÉM DÁ UMA BANANA PARA O BRASIL





Um dos principais produtos de exportação de nossa indústria cultural são as novelas. Há quem não goste, mas é inegável o talento brasileiro para a produção desse tipo de obra ficcional para a televisão.

Quem não lembra daquela pergunta célebre “Quem matou Odete Roitman”? Esse mistério povoou a mente de milhões de brasileiros por meses a fio e da mesma forma despertou a curiosidade de telespectadores de outros países onde a novela passou. Talvez nem nos lembremos no nome da novela. Eu mesma tive que me socorrer ao amigo Google para lembrar, mas da frase e do mistério, todos, até quem nem era nascido na época, certamente hão de lembrar. A novela era “Vale Tudo” e foi ao ar pela Rede Globo, em 1988.

Hoje, passados 28 anos da exibição da novela “Vale Tudo”, a vida imita a arte e o Brasil, bem como a comunidade internacional estão atônitos querendo saber não quem matou Odete Roitman, mas quem matou nossa Justiça para blindar Eduardo Cunha. Queremos saber mais: Por quê?

Não há uma pessoa que não se questione sobre as razões para que o Supremo Tribunal Federal ainda não tenha afastado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. Tanto faz se o cidadão é contra ou a favor do impeachment de Dilma Rousseff. Um ponto de intersecção sempre haverá entre os antagonistas do impeachment: a repugnância à impunidade e à blindagem franqueada a Eduardo Cunha. É claro que aqui estou me referindo aos cidadãos e às cidadãs e não aos políticos chamam Eduardo Cunha de “meu Presidente” e de “Excelência”.

Dilma Rousseff  foi eleita por mais de 53 milhões de votos de todos os municípios e Estados brasileiros. Sobre ela não pesa nenhuma acusação de corrupção ou enriquecimento ilícito. É a mandatária máxima da Nação, tendo, inclusive nomeado vários dos Ministros que hoje têm assento na Suprema Corte e nada disso impediu o Supremo Tribunal Federal de lhe impor fragorosas derrotas em todas as tentativas de, por meio da judicialização do processo de impeachment, barrar o seu curso. Muito valente esse Supremo, não?

Calma! Ainda estamos no começo da nossa prosa. É que com Eduardo Cunha, que é tão somente um deputado federal, eleito com 232 mil votos obtidos em um único Estado, o Rio de Janeiro, já denunciado por vários crimes, inclusive de corrupção e lavagem de capitais, pela Procuradoria Geral da República, continua a exercer tranquilamente seu poderio sem ser admoestado pelo STF ou por quem quer que seja, como se fora o mais impoluto e mais probo dos brasileiros.

Que mistério é esse que torna o corrupto denunciado (no sentido técnico-jurídico do termo) Eduardo Cunha no homem mais poderoso da República, a ponto de impor tamanha deferência à sua pessoa, pela Corte Suprema, que esta se coloca a seus pés mendigando, inclusive, reajustes salariais (veja Aqui), quando com aquele indivíduo, réu em processos, repita-se, por corrupção e lavagem de capitais,sequer deveriam seus ínclitos ministros quererem assunto? Logo esta Corte que fez tanta questão de se mostrar  destemida e independente quando o alvo foi a presidente da República! Que decepção!

Outro dia, alguém lembrou que Eduardo Cunha desperdiçou alguns milhares de reais do nosso dinheiro contratando a empresa de espionagem internacional “KROLL”, a pretexto de assessorar trabalhos da CPI da Petrobras e essa mesma pessoa cogitou se esse contrato não teria servido de disfarce para a produção de “dossiês” contra desafetos de Cunha e altas patentes e autoridades da República. Teorias da Conspiração à parte, se considerarmos que o contrato com a KROLL, feito por Eduardo Cunha, em nome da Câmara dos Deputados, para o tal assessoramente, custou a baba de R$ 1,18 milhão iniciais, ao custo de R$ 7.284,00 por página e que, segunda reportagem da
Revista Época, o relatório entregue pela KROLL à CPI nada mais era que uma coleção de pesquisas feitas pela internet, que qualquer estagiário teria condições de fazer e que, entretanto, Cunha decidiu impor a classificação de “sigilosos” aos documentos recebidos dos espiões da KROLL, tornando-os inacessíveis por cinco anos, prazo que se vencerá somente em 2020, não há como sentir aquela pulguinha nos cutucando por detrás da orelha. O que, afinal, a KROLL entregou a Cunha para que este colocasse sob sigilo por cinco anos? Pesquisas feitas na internet é que não foram, convenhamos.

Mas o mistério não para por aí. Ainda de acordo com a reportagem de Época, um segundo contrato com a KROLL, esse orçado em, pasmem, R$ 12 milhões, teria sido sustado, porque a empresa se assustou com uma investigação iniciada pela força-tarefa da Lava-Jato, comandada pelo procurador da República Deltan Dalagnol, sobre o tal contrato assinado por Cunha e a KROLL. Questionamos: Em que deu essa investigação? Por que nunca mais se soube dela? O que a Lava-Jato descobriu sobre o que a KROLL entregou a Eduardo Cunha, como fruto das espionagens pagas com nosso dinheiro?

No final da novela “Vale Tudo”, um empresário  foge do país em um jatinho levando a esposa que, afinal, era a assassina de Odete Roitman e numa cena inesquecível, verdadeiramente emblemática e ao som de "Brasil", de Cazuza, o tal empresário manda uma banana para o povo brasileiro.

Ao que parece, o que o STF faz hoje não difere muito do que faz o personagem de Reginaldo Farias no final de “Vale Tudo”: No “Vale Tudo” do Poder, o Supremo “acoita” o assassino da própria
Justiça e dá uma banana para todos nós! 

"Brasil, qual é o teu negócio, o nome do teu sócio? Confia em mim! Grande Pátria desimportante, em nenhum instante eu vou te trair, eu não vou te trair! Brasil!"



Comentários

  1. 'PARABENS pelo texto. Vc analisou Muito bem a realidade que estamos vivendo. Que parece ter saindo dos foletins globais

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  2. 'PARABENS pelo texto. Vc analisou Muito bem a realidade que estamos vivendo. Que parece ter saindo dos foletins globais

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  3. Excelente,Noélia!Texto digno de estar acessível a todos. Parabéns, minha amiga.

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