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sábado, 26 de novembro de 2016

JORNALISTAS DO DIÁRIO E DA FOLHA DE PERNAMBUCO SOFREM ATRASOS DE SALÁRIOS E AMEAÇAS DE PERSEGUIÇÃO


Foto: Facebook SINJOPE
Muito embora nenhum jornalista tenha nos procurado ou pedido nosso apoio ou nossa solidariedade, nosso Blog se sente no dever de se solidarizar com os trabalhadores tanto do Diário de Pernambuco, como da Folha de Pernambuco que têm sido vítimas de atrasos de salário, bem como de situações degradantes em suas condições de trabalho, além de ameaças de retaliações por causa de suas justas reivindicações.

Nossa posição em nada se difere, portanto, daquela que temos manifestado com relação aos trabalhadores de forma geral quando vítimas de maus empregadores.

Tomamos conhecimento, por meio de postagens feitas nas redes sociais, pelo SINJOPE, Sindicato que agrega os profissionais de impressa do Estado de Pernambuco, de que esses dois órgãos da imprensa de nosso Estado estariam atrasando salários. Essa situação seria recorrente na Folha de Pernambuco. Já no Diário, o atraso no pagamento foi reportado pela primeira vez, este mês, entretanto, há dois anos, os empregados do mais antigo jornal em circulação na América Latina estariam sem receber qualquer reajuste, nem mesmo a reposição inflacionária teria sido garantida.

É sabido que os três principais jornais de Pernambuco são comandados por empresários sem qualquer compromisso com o Jornalismo. O compromisso dos donos do Diário, da Folha e do Jornal do Commercio é apenas com o lucro e com as vantagens pessoais que ser o dono e senhor da informação pode lhes trazer, seja ocultando-a, seja manipulando-a, seja para obter patrocínios milionários junto aos mais diversos órgãos públicos, enfim, seja para interferir no processo político-eleitoral do Estado.

Nesse sentido seria demais esperar que empresários que só veem em seus negócios um meio de obtenção de vantagens pessoais tratassem empregados de maneira diferenciada, ainda que esses empregados sejam jornalistas, profissionais que pela própria natureza de seu trabalho são, sim, profissionais diferenciados.

Mas o jornalismo, de há muito, para os donos de jornais, deixou de ser jornalismo, passando a ser apenas "negócio".

O dono do Jornal do Commercio é um megaempresário do ramo da construção civil e de shopping centers (Grupo JCPM). Já o dono da Folha de Pernambuco é um empresário do ramo usineiro (Grupo EQM).

Mas quem são os atuais donos do Diário de Pernambuco, que adquiriram o matutino já de um outro grupo empresarial, o HAPVIDA, sabendo que o Diário amargava prejuízos mensais milionários?

Quem são essas pessoas que revertem a máxima capitalista que norteia todo empresário de "jamais colocar dinheiro bom em negócio ruim"?

Consta que o Diário de Pernambuco teria sido adquirido pelo Grupo Rands, pertencente aos irmãos Maurício e Alexandre Rands. Mas de onde vem a fortuna desses irmãos que de maneira tão desprendida resolveram colocar seu dinheiro "bom" num negócio "ruim" que, repita-se, sabidamente amargava prejuízo milionário já no momento em que foi repassado às mãos dos Rands? Que tanto amor foi esse ao jornalismo que esses não jornalistas teriam alimentado, para comprar o Diário, mesmo sabendo que com este só amargariam prejuízo?

Por uma peça dessas que o destino costuma pregar nas pessoas, Maurício Rands teria ficado rico advogando para sindicatos de trabalhadores em ações contra a patronal. Era ligado à CUT. Um militante da esquerda na luta contra os maus patrões que exploram a classe trabalhadora.

Foi essa sua ligação com o PT, com a CUT e com sindicatos que o cacifou para assumir a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Prefeitura do Recife, na primeira gestão de João Paulo.

Ali, Maurício Rands começou a sedimentar seu caminho para uma carreira política e foi ali que lutou para que empresas que exploram a mão de obra do chamado ciberproletariado que se instalassem ali pelo Porto Digital, tivessem benesses fiscais, empresas como a de seu irmão, Alexandre Rands, a Datamétrica, que de uma pequena empresa de pesquisas eleitorais, veio a se transformar numa megaempresa prestadora de serviços de telemarketing que conseguiu, por exemplo, durante o governo Lula, um contrato de R$ 60 milhões para fazer o telemarketing do INSS, apenas no Recife e em Salvador (Leia AQUI).O contrato do MPS com a Datamétrica surgiu quando Rands já era deputado federal, pelo PT. Na época, Rands fora eleito com seu discurso em defesa da classe trabalhadora e dos direitos sociais. 

Depois de não conseguir ser o candidato do PT à prefeitura do Recife, Maurício Rands lança uma carta cheia de amargura contra o PT e contra a política, renuncia ao mandato de deputado federal (Leia AQUI) e se muda para a Holanda, onde vai ser empregado do empresário Roberto Viana, dono da Petra e velho conhecido do povo pernambucano de episódios como o escândalo dos Precatórios (Leia AQUI).

A CPI dos Precatórios começou a investigar o que considera os primeiros indícios de ligações entre o esquema dos títulos públicos e o financiamento de campanhas políticas.
A CPI determinou ontem à Polícia Federal que tome depoimento do empresário Roberto Viana, que ocupou duas secretarias na gestão do ex-governador de Pernambuco Joaquim Francisco, sobre suas ligações com o Banco Vetor e autoridades nos Estados.
Na última eleição, Viana coordenou as campanhas eleitorais dos governadores Tasso Jereissati, do Ceará, e Roseana Sarney, do Maranhão.
No ano passado, depois da emissão de títulos coordenada pelo Vetor em Pernambuco, o empresário teria tentado "vender" uma operação semelhante para o governo maranhense.
O empresário Ronaldo Ganon, um dos sócios do Vetor, respondeu com um "pode ser" quando perguntado pelo senador Esperidião Amin (PPB-SC) sobre a atuação de Viana como contato entre o banco e o Maranhão.
A empresa de consultoria de Viana, chamada Polo, está instalada ao lado do escritório da corretora Perfil, em Recife, segundo o deputado estadual Paulo Rubens (PT).
A Perfil foi usada como empresa de fachada pelo ex-coordenador da Dívida Pública da Prefeitura de São Paulo Wagner Ramos, que assessorou o Vetor nas operações de Pernambuco e Santa Catarina.
Viana tem ligações familiares com o secretário da Fazenda de Pernambuco, Eduardo Campos, que fechou o contrato com o Vetor para a emissão dos títulos.
O empresário é casado com Malu Viana, irmã de Vanja Campos, que é tia de Eduardo Campos e assessora do governador Miguel Arraes, segundo Rubens.
Viana não foi localizado ontem em sua empresa. A Folha também ligou para a assessoria de Eduardo Campos e pediu um contato com o secretário. A assessoria respondeu que Campos estava em uma reunião e que Roberto Viana nada teve a ver com as emissões de títulos de Pernambuco. 
ACESSE AQUI

Depois disso, Maurício Rands retorna à vida pública, não como protagonista, como sempre gostou, mas como mero coadjuvante das famílias Andrade Lima/Campos, coordenando a campanha de Eduardo Campos, do PSB, que, com sua morte, foi substituído por Marina Silva.

O ex-político de futuro promissor, que um dia sonhou em ser prefeito do Recife e, quiçá, até governador de Pernambuco, agora se envaidece posando como dono do Diário de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação da América Latina. Mas será que é motivo para tanto orgulho mesmo para alguém que enriqueceu às custas da defesa das causas sociais, hoje posar como empresário da mídia enquanto atrasa os salários de jornalistas e funcionários do "seu" Jornal?

O salário teria sido pago à zero hora de hoje, depois que a notícia sobre um editorial bizarro, publicado pelo Diário, chamando o protesto feito pelos jornalistas que pararam na véspera, reivindicando o pagamento de seus salários, de "piquenique" ganhou as redes sociais.


No Facebook do SINJOPE, lemos indignados, que, na Folha de Pernambuco, à chegada dos manifestantes do Diário ao prédio da primeira, convocando os companheiros para aderirem ao protesto, já que sabidamente, diz a postagem, a Folha é uma empregadora que, de maneira contumaz, atrasa salários, décimo-terceiro, férias e não deposita o FGTS dos trabalhadores, a "chefia de reportagem convocou reunião de emergência e proferiu aos demais editores, segundo relatos de quem estava presente: 'quem descer sofrerá as consequências'. Em seguida, editores teriam repassado a ameaça adiante: 'quem aderir será demitido'. No fim da tarde, mais uma ação de coação: 'os repórteres estão sendo orientados a não descer nem para comer e estão dispensados do intervalo.'":

Fonte: Facebook do SINJOPE

Que a Folha de Pernambuco aja com tal truculência contra seus empregados não nos surpreende, tendo em vista denúncias que já foram divulgadas pela mídia nacional e pela Blogosfera (leia Usina de família de novo ministro foi flagrada cinco vezes com escravos e Com “linhagem de patrão”, Armando Monteiro preocupa sindicalistas), relacionadas com o modus operandi de outras empresas do mesmo grupo, com relação a seus trabalhadores que teriam sido levados à condição análoga a de escravos. Vejamos:

Fonte: Blog do Sakamoto


Fonte: Carta Capital

É lamentável ver que profissionais da excelência dos jornalistas de Pernambuco, reconhecidos pela vasta lista de prêmios regionais e nacionais que recebem, ano após ano, por seus próprios méritos e não de seus patrões, isso é evidente, tenham que se submeter a todo tipo de capricho e humilhação advindas de quem só tem compromisso com seus próprios interesses, mas não é desprezível o fato de ver alguém com o histórico de Maurício Rands se transmudar de defensor ferrenho e dedicado da classe trabalhadora em seu algoz. Esse é mais um ingrediente amargo dessa salada cujos componentes jamais deveriam se misturar: jornalismo e empresários.

Nós, da Blogosfera, temos um papel muitas vezes incompreendido, mas apesar disso continuaremos a exercê-lo. Nosso papel é trazer a público "a dor da gente" que não sai no jornal. A dor dos jornalistas, assim como muitas dores que temos denunciado, jamais sairá nos jornais, mas em nossos Blogs, nossas páginas estarão sempre abertas e disponíveis para trazer a público todas as dores, seja quem for algoz.


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