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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SÍNDROME DE ESTOCOLMO DEIXA A REPÚBLICA E O JUDICIÁRIO DE CÓCORAS PARA RENAN E SUA ORCRIM



Por Noelia Brito, editora do Blog

A psicanalista Anna Freud escreveu sobre os chamados mecanismos de defesa, pelos quais a pessoa se identifica inconscientemente com o seu agressor, assumindo, dessa forma, o papel de agressor de si mesmo ou de outras pessoas.

O tema foi tratado por Anna Freud em 1936, em seu livro "O Ego e os mecanismos de defesa". Para Anna, a identificação com o agressor ou com a agressão consegue transformar a angústia desencadeada pelo objeto temido em segurança, fazendo com que o indivíduo saia da posição de passividade, geralmente associada com sentimentos de fragilidade, vitimização e humilhação, para a posição de atividade, esta, associada com os sentimentos de força, competência e poder. A Síndrome de Estocolmo, tão em voga, ultimamente, seria um dos mecanismos pelos quais a vítima, ao se identificar com o agressor, a ponto até de defendê-lo, exerce essa autodefesa.

Mas o que é que isso tem a ver com o momento político atual e com a chamada "crise entre poderes" que estaria ocorrendo entre o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal?


Primeiro, é bom esclarecer que não há crise entre poderes. O que há é desobediência civil praticada por criminosos de uma ORCRIM, delatada na Operação Lava Jato e chefiada pelo réu e indiciado, Renan Calheiros, que tomou o poder de assalto, a uma ordem de uma autoridade constitucionalmente investida, no caso, o ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal. É disso que se trata. 


Coube ao Senado Federal o julgamento da presidente Dilma Rousseff, por um suposto crime de responsabilidade e por esse julgamento ela foi ceifada de seu cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de votos. O Senado, então, era presidido pelo peemedebista Renan Calheiros. O vice-presidente beneficiado pela deposição da presidente é Michel Temer, do mesmo partido de Calheiros, o PMDB.


No decorrer desse julgamento, vieram à tona gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, do PMDB, com vários medalhões da República, todos ligados ao PMDB, onde o assunto era sempre a urgência de se tirar Dilma Rousseff da presidência para com isso se "estancar a sangria" provocada pela Operação Lava Jato, pois Sérgio Machado, a interposta pessoa de Renan Calheiros e dos demais caciques do PMDB, leia-se, Romero Jucá, José Sarney e Michel Temer, dentro da estrutura criminosa que se armou para saquear os cofres da Petrobras, já havia sido alcançado pela Lava Jato e os próximos seriam, certamente, os caciques por ele representados.

Das conversas gravadas por Machado com os chefes da ORCRIM PMDB, fica evidente que os caciques dessa ORCRIM viam na figura de Dilma alguém que jamais moveria uma palha para impedir que as investigações prosseguissem, daí porque tirá-la da presidência para colocar um deles, ou seja, Michel Temer, era uma questão de sobrevivência para aquela Organização Criminosa.

E assim foi feito.

Na Câmara, o impeachment foi recebido por outro membro da ORCRIM PMDB, Eduardo Cunha, este já cassado e preso pela Lava Jato e ainda que sem que a presidente tenha cometido qualquer crime de responsabilidade ou crime comum, como ficou bastante evidenciado nas delações premiadas, até agora vindas a público, no Senado, foi condenada por uma leva de senadores investigados pela Operação Lava Jato (a maioria responde processos por corrupção e lavagem de dinheiro roubado da Petrobras e de outras instituições federais) a perder o cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de votos.

Ninguém mais nesse país chamado Brasil tem dúvidas de que Dilma só foi afastada de seu cargo porque não se comprometeu com a ORCRIM a parar a Lava Jato e o que veio depois de seu afastamento só confirmou esse raciocínio. 

Sim e o que veio depois desse afastamento? Veio uma campanha de desmoralização do Poder Judiciário e do Ministério Público movida por aqueles que não se conformam de, finalmente, terem que pagar por seus crimes. O coordenador-geral da Lava Jato, procurador Deltan Dallagnol, em entrevista coletiva chegou a reconhecer que "Até o governo Dilma avançou propostas contra a corrupção muito melhores que as que foram aprovadas" pelo governo atual (Leia AQUI), percebendo, finalmente, que o intuito dos que fizeram o impeachment sempre foi a impunidade para seus próprios crimes.

Aqueles que chamaram o "impeachment" de "golpe parlamentar", agora, estranhamente, fazem a defesa desse Senado, que foi o "tribunal de exceção" que roubou os 54 milhões de votos que elegeram Dilma para que as Organizações Criminosas se safassem de seus crimes e ainda aprovassem medidas antipovo como essa Reforma da Previdência, pela qual para se aposentar você terá que contribuir durante nada menos que por 49 anos, sem falar em outras aberrações como o corte de investimentos na Educação e na Saúde por 30 anos. O que é isso senão o que Anne Freud chamou de "identificação com o agressor", lá pelos idos de 1936? O que é isso senão a famosa "Síndrome de Estocolmo" que tanto se diz acometer os "pobres de direita"? Pois a esquerda brasileira já tem uma "Síndrome de Estocolmo" para chamar de sua e os agressores hoje defendidos por suas próprias vítimas atendem pelos nomes de Renan Calheiros e de PMDB.


Impressiona por demais o argumento de certa esquerda ao questionar a forma como Renan foi retirado do cargo, de modo a justificar que o "coroné" das Alagoas descumpra, no maior descaramento, uma ordem judicial advinda de um ministro do Supremo e o pior é que os demais ministros do Supremo calados estavam, calados ficaram, quando o certo serem cadeia pra ele. Sim, tenho que ressaltar que o sempre verborrágico e insensato Gilmar Mendes, que agora forma dupla de área com Renan Calheiros para atacar a Lava Jato, mesmo estando em viagem pela Europa, afirmou que Marco Aurélio, por ter determinado o afastamento de seu parceiro Renan, deveria ser "impitimado" ou tornado inimputável. Falam que a forma foi indevida. E a forma pela qual Renan e a ORCRIM por ele comandada, ao arrepio da Constituição, da moral e da ética roubaram o mandato de Dilma tão somente para obstruir a justiça e se safarem de seus crimes barrando a lava jato, sobre essa ninguém se pronuncia, ninguém tem nada a dizer? Será que a identificação com os agressores é tão grande que obscureceu vossas mentes de maneira irreversível?

Agora, temos que o "Coroné" Renan descumpre uma ordem judicial de um ministro do Supremo e os colegas deste ficam caladinhos e não veem nisso nenhum ato de desrespeito ao Judiciário, nem ao Supremo, nem à República. O mesmo Renan que recentemente fora gravado por um comparsa, no caso, Sérgio Machado, tramando para barrar uma Operação como a Lava Jato que desbaratou o maior esquema de corrupção já visto nesse País, aliás, o mesmo Renan que responde a nada menos que 12 inquéritos por corrupção, ali mesmo no Supremo Tribunal Federal, um deles já transformado em processo criminal, sendo essa a causa, inclusive, da decisão de Marco Aurélio em afastá-lo.

Gravações de uma conversa telefônica, portanto, privada, de Lula foi ilegalmente vazada. Uma conversa na qual ele dizia o que todos já sabíamos e que hoje se tem por confirmado: "temos um Supremo acovardado", dizia Lula a seu interlocutor. Os covardes do Supremo, ao saberem que numa conversa privada, Lula dissera aquilo, que de tão verdadeiro lhe doeu demais, porque a verdade causa uma dor cortante, tomaram-se de pruridos e mumunhas e foram à vingança, julgaram que ele não poderia assumir o cargo de ministro porque isso seria obstrução da justiça por garantir-lhe um foro privilegiado, afastando-o de uma ameaça de prisão advinda da caneta de Sérgio Moro, prisão que, ao final, jamais se concretizou. No julgamento, sublimaram seus recalques classistas com comentários mordazes contra o desabafo de Lula, vazado de uma conversa privada que jamais ousariam ou ousarão fazer contra o Coroné Renan. A conferir logo mais, no julgamento pelo pleno de seu afastamento.






Um comentário:

  1. É Noelia, foi esse STF que rasgou a Constituição e derrubou Dilma. Não é melhor quw Renan ou Cunha.

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