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sábado, 25 de março de 2017

DELATOR DA ODEBRECHT CONFIRMA AO TSE PAGAMENTO DE PROPINA USANDO ITAIPAVA COMO LARANJA.


Confirmando informações já publicadas pelo Blog da Noelia Brito (leia AQUI e AQUI), o delator e ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, Benedicto Junior, reafirmou, em depoimento prestado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que a empreiteira utilizou a cervejaria Itaipava, do grupo Petrópolis, para disfarçar a participação em doações eleitorais em 2014, chamando o esquema de "caixa 1 travestido". A confirmação está na edição de hoje do jornal Folha de São Paulo.

Em 2014, segundo a Folha de São Paulo apurou, os partidos beneficiados pelo esquema da Odebrecht com a Itaipava, classificado de "barriga de aluguel" pelo próprio relator foram PDT, PSB, DEM, PT, PMDB e PCdoB, num total de R$ 24,8 milhões via doação oficial.

Entretanto, o esquema envolvendo Odebrecht e Itaipava, que era utilizando para gerar fluxo para seu Departamento de Operações Estruturadas (de propinas), usando um paraíso fiscal, movimentou R$ 117 milhões, de acordo com as investigações. O dinheiro repassado pela cervejaria a políticos no Brasil era devolvido pela Odebrecht no exterior. 

A empreiteira adquiria notas em reais da cervejaria, que tinha grande quantidade de moeda no Brasil devido aos bares e pequenos pontos de venda espalhados pelo país. O reembolso ao grupo era feito em contas no exterior.

Sobre o esquema, o ex-presidente e herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht, afirmou, também em depoimento ao TSE: "Conheço [o caso] da Itaipava. Ela fazia doação oficial e a gente encontrava uma maneira de reembolsar".

"Eu tinha um problema que não consegui operar os créditos que eu tinha prometido. Não conseguia doar aquilo que tinha acertado. Aí, acho que usou a Itaipava e alguns outros terceiros", disse Marcelo em seu depoimento ao TSE.

O grupo Petrópolis pertence ao empresário Walter Faria e atuou, segundo Benedicto Junior, como laranja para doar R$ 40 milhões a campanhas eleitorais de 2014, entre doações oficiais e não oficiais, porém.

Os beneficiários eram informados que parte da doação seria feita oficialmente pela construtora e outra parte via um "terceiro""– neste caso, o grupo Petrópolis, revela, ainda, a reportagem da Folha de São Paulo.

BJ afirmou que a empreiteira gerenciava uma espécie de "conta conjunta" com a cervejaria. Essa "conta", segundo ele, tinha direito a remunerações com taxas similares ao CDI, principal indicador de taxa de renda fixa.

"Qual era a combinação específica? Você [Itaipava] faz a doação em meu nome [Odebrecht], a gente cria uma conta corrente; até que eu converta isso num projeto, eu te remunero por CDI como se você fosse um banco que está me emprestando dinheiro".

Arena Pernambuco/Itaipava, Parceria Público Privada entre a Odebrecht e o Governo de Pernambuco sob investigação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República, no Inquérito nº 4292, em tramitação no Supremo Tribunal Federal, oriundo da Operação "Fair Play", tendo como investigados o governador de Pernambuco Paulo Câmara, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, o senador por Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho e o deputado federal por Pernambuco, Fernando Bezerra Coelho, todos do PSB/PE (leia AQUI e AQUI)
"Após pegar esse volume e transformar num projeto, a gente abate e eu me obrigo a que esse projeto em que levo você para ser meu sócio te dê uma remuneração maior que o CDI que o banco te daria. Essa era a combinação genérica que eu tinha com o sr. Walter", detalhou BJ. O executivo disse ainda achar que "a combinação" com Walter foi feita em 2008, 2010, 2012 e 2014.

Inauguração da fábrica da Itaipava, em Pernambuco, um dos alvos de inquérito da Polícia Federal, no Ceará, instaurado a pedido do Ministério Público, naquele estado, por financiamentos fraudulentos 
O Blog apurou, ainda, que a Procuradoria da República no Ceará, estado onde fica a sede do Banco do Nordeste, já  havia requisitado à Polícia Federal a instauração de inquérito policial para investigar a instituição financeira federal, por gestão fraudulenta, pela concessão de R$ 830 milhões em empréstimos para a Itaipava, destinados à construção de
Itaipava lançou latas de cerveja com a imagem e o
slogan de campanha de Eduardo Campos,
no aniversário de sua morte:
"Nós não vamos desistir do Brasil" 
duas fábricas da cervejaria, sendo uma na Bahia e outra em Pernambuco. Meses depois da assinatura do contrato e da liberação dos recursos, o empresário Walter Faria, dono da Itaipava, teria pedido e obtido, prontamente, segundo o procurador da República Edmac Trigueiro, autor do pedido de abertura de Inquérito, a dispensa da Carta-Fiança que servia de garantia da operação em troca de uma garantia hipotecária.


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