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sexta-feira, 10 de março de 2017

"LARANJAS" DO JATINHO DO PSB SÃO ALVO DE DEVASSA DA RECEITA FEDERAL A PEDIDO DA "LAVA JATO"


Apolo Santana Vieira negocia "delação premiada"
com o MPF, no Paraná e por isso não foi novamente
preso, desta vez por decisão do juiz federal Sergio Moro

Matéria assinada pelos jornalistas Ricardo Brandt, Julia Affonso, Fausto Macedo e Mateus Coutinho, do Estadão (Leia AQUI) traz a público um relatório da Receita Federal mostrando que "o operador de propinas Apolo Santana Vieira, um dos supostos donos da jato que caiu com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), em 2014, não tinha bens registrados em seu nome, apesar de manter uma vida luxo e movimentar milhões em suas contas." Segundo a matéria, o documento é parte da Operação Blackout, 38ª. fase da Lava Jato.

Apolo Santana, que é um dos alvos da Operação Turbulência, também da Polícia Federal, responsável pela investigação não apenas da negociata envolvendo a compra do jatinho CESSNA no qual viajava o ex-governador Eduardo Campos e no qual foi vitimado fatalmente em acidente aéreo, mas a atuação de organização criminosa responsável por lavagem de dinheiro fruto de corrupção em obras e licitações públicas da ordem de R$ 600 milhões, teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato na primeira instância, em Curitiba, mas a ordem foi revogada antes da deflagração da operação, no dia 23 de fevereiro, porque ele negocia acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.



“A maior parte dos bens declarados por Apolo Santana Vieira é de cotas de participação nas empresas que é sócio e de planos de previdência. Não há veículos nem imóveis declarados em seu nome”, informa o relatório de informação da Receita, em Curitiba, anexado aos autos da Blackout.

Segundo o documento, outro levantamento do órgão apontou que “grande parte de seus bens estariam em nome de suas empresas ou em nome de terceiros”. A Receita listou as empresas do investigado.

“Os veículos de luxo que ele e sua família utilizam e mais uma lancha de 46 pés, todos em nome de suas empresas, estariam avaliados em cerca de 5 milhões de reais. O apartamento onde residiria atualmente está avaliado em cerca de R$ 3 milhões”.


Na Blackout, afirma a reportagem do Estadão, última fase da Lava Jato, que tem como alvos centrais os operadores de propinas do PMDB Jorge Luz e seu filho Bruno Luz, Apolo é acusado de ter envolvimento com a corrupção nos contratos dos navios-sondas – para exploração de petróleo em águas profundas – Vitoria 10000 e Petrobrás 10000. Foram identificados pagamentos para a conta da offshore Zago Inc, mantida no banco Safra, em Luxemburgo, que seria de Apolo, pelo operador Julio Gerin Camargo – delator da Lava Jato.

Segundo o Ministério Público Federal, “Apolo Santana se apresenta como profissional voltado para a lavagem de ativos e vale-se constantemente de contas no exterior para circular valores ilícitos, o que justifica o recebimento de valores de propina oriundos do navio-sonda Vitória 10.000 em conta oculta no exterior, operação que deve ter sido realizada em favor de algum agente político”.

Segundo a matéria, Apolo Santana é acusado, na Lava Jato, de receber USD 510 mil na conta Zago de propina do contrato do navio-sonda Petrobras 10.000. A conta recebeu USD 19.620.124,68 entre 2005 e 2011 e repassou USD 12.552.582,90. A conta foi aberta pelo escritório panamenho Mossack & Fonseca, já alvo das investigações.


Lavagem. A reportagem do Estadão apurou que o relatório de informação da Receita aponta que há indícios de ocultação de movimentação de dinheiro nas contas de declarações fiscais de Apolo:

“No ano de 2008 o contribuinte declarou ter recebido rendimentos no valor total de R$ 1.529.980,41 e a sua movimentação a crédito foi de R$ 243.827,54, ou seja, há uma diferença de R$ 1.286.152,87 em recursos recebidos que não circularam em suas contas bancárias”, informa a Receita.

“Importante para a investigação destacar, também, que entre os anos de 2012 a 2015 não se verificou em Dimof que o contribuinte teve movimentação financeira, mas declarou em sua DIRPF ter recebido nesses quatro anos um montante de R$ 1.053.444,87, ou seja, essa quantia também circulou a margem do sistema bancário.”

“Apenas pelas análises dos dados constantes dos sistemas da RFB (Receita) não é possível determinar o motivo pelo qual o contribuinte deixou de movimentar seus recursos por contas bancárias, na maioria das vezes não utilizam os bancos para que não se deixem ‘rastros’ de recursos ilícitos ou que por algum motivo se quer ocultar a origem”, registra o auditor fiscal da Receita Roberto Leonel de Oliveira Lima, da equipe da Lava Jato, em Curitiba.

“Sabe-se que um recurso muito utilizado pelos órgãos de persecução criminal é justamente a quebra do sigilo bancário e a não utilização de contas bancárias é uma maneira de se ‘proteger’ de tal medida.”

Um dos pontos que chama atenção no relatório da Receita Federal trazido a público pelo Estadão (acesse AQUI) é a menção a uma outra investigação solicitada pela Receita Federal, ao Ministério Público Federal, em Pernambuco, com quebra de sigilo deferido judicialmente. Segundo a Receita Federal, o fato do investigado, Apolo Santana ter tido acesso ao processo e à Informação de Pesquisa e Investigação nº PE20120001 teriam prejudicado o progresso das investigações. Esse acesso antecipado seria alvo, atualmente, de uma outra investigação, a cargo do próprio MPF:




SAIBA MAIS:

http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2016/06/foragido-da-operacao-turbulencia-deve-entrar-em-lista-da-interpol.html (ASSISTAM O VÍDEO ONDE A DELEGADA REVELA A EXISTÊNCIA DE DOIS INQUÉRITOS NO SUPREMO E UM NO PARANÁ INVESTIGANDO POLÍTICOS PERNAMBUCANOS ENVOLVIDOS NO ESQUEMA OBJETO DA OPERAÇÃO TURBULÊNCIA)

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